Brasil: Cooperbio

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A Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis do Brasil Ltda - COOPERBIO é uma Cooperativa organizada e dirigida por camponeses e médios proprietários de terra da região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Tem como missão:

-Produzir matéria-prima, armazenar, industrializar e comercializar biocombustíveis; -Estimular a cooperação entre os pequenos e médios agricultores; -Desenvolvimento e a defesa das atividades econômicas e sociais de caráter comum; -Coordenar o planejamento organização e o controle da produção; -Propor linhas de produção aos associados

Contents

Contexto socio-economico e ambiental

A região Noroeste do Rio Grande Sul está situada a uma distância de 350 km da capital Porto Alegre e faz divisa com o estado de Santa Catarina e fronteira com a Argentina, sendo separada pelo rio Uruguai. A COOPERBIO é uma cooperativa de pequenos produtores com sede no município de Palmeiras das Missões. Os municípios abrangidos pela cooperativa, total de 63, têm sua estrutura agrária preponderantemente formada por pequenos produtores e médios proprietários. As propriedades até 50 ha totalizam quase a totalidade (95%) com a minoria dos proprietários (5%) concentram 43,87% da terra. Nesta região 90% das famílias recebem até, no máximo, dois salários mínimos mensais. Esta região concentra também (pelo IBGE) os 50 municípios com o menor IDH do Estado do RS.

O avanço do mono cultivo da soja, do trigo e do milho causou impactos socioambientais visíveis. Os pequenos proprietários venderam a terra, causando um elevado índice de êxodo rural principalmente pela juventude que, sem perspectivas de educação, trabalho e renda, tem migrado para os grandes centros urbanos para vender sua força de trabalho como forma de garantir sua sobrevivência. A região esta’ também sendo impactada pela mudança no clima regional. Nos últimos 10 anos aconteceram varias secas que agravaram ainda mais as condições sociais.

O mono cultivo e a conseqüente retirada da cobertura vegetal nativa mudaram a paisagem da região que, em 2001, protagonizou a inserção dos transgênicos. Embora eles tenham boa produtividade, algumas áreas têm sido resultados inesperados como o aumento dos custos de produção, aparecimento de novas pragas e doenças que obrigavam a compra de mais agros venenos.

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Figura 1. Produtividade da soja em alguns estados e regiões do Brasil (media ponderada de 3 anos). Fonte de dados: IBGE/Sidra (www.sidra.ibge.gov.br).

Cooperbio e as microdestilarias

O Projeto de Validação Tecnológica de Produção de Álcool a Partir da Agricultura Camponesa é um projeto concebido pela Cooperbio para produzir álcool combustível associado à produção de leite. O projeto prevê a produção de álcool em microdestilarias instaladas nas comunidades camponesas, que juntamente a produção de álcool terá viabilizada a produção de açúcar mascavo e outros derivados, além da geração de insumos orgânicos como o vinhoto e o bagaço da cana-de-açúcar. Os pontos nos quais se basea a Cooperbio são:

1. Planos de rotação de cultivos utilizando espécies alimentares e energéticas, otimizando o uso do solo, água e biodiversidade;

2. Sistemas de consórcios alimentares e energéticos propiciando uso eficiente da terra (uft), diminuindo espaço físico para produção de energia;

3. Desenho de sistemas agro florestais visando à recuperação ambiental, a produção de alimento e geração de energia líquida e calorífica;

4. Plantio de florestas superadensada para produção de fonte calorífica de forma descentralizada.

A proposta desenvolvida pela COOPERBIO já conta com política de crédito junto ao Banco do Brasil, nos moldes do PRONAF Florestal. O programa prevê a implantação de cultivos perenes para produção de óleos vegetais em consórcios com alimentos, prevê também a implantação de, no máximo, um hectare por família de florestas adensadas para fins de geração de calor nas unidades de produção de álcool, óleos vegetais, para uso em outras agroindústrias camponesas e produção de madeira para construção rural. Conjugado na mesma proposta está à recuperação de mata ciliar com espécies nativas regionais, bem com a entrega de 25 mudas frutíferas para recomposição dos pomares para produção para autoconsumo.

Para uma analise detalhada da viabilidade economica das microdestilarias, olhar na pagina Microdestilarias no Brasil

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Figura 2. O modelo agroflorestal da Cooperbio. Foto: Daniele Cesano

Contexto do projeto COOPERBIO

O projeto da Cooperbio é um projeto voltado a atender as necessidades do campo, produzindo alimento e energia e manejando os recursos naturais de forma racional e ecológica, possivelmente sem degradação e contaminação. Os pontos principais do projeto Cooperbio são:

- Produção de alimento e energia. A produção de alimento é a essência da agricultura camponesa. A produção de energia e alimento de forma ecológica é a grande diferença entre o projeto popular de agricultura e o projeto do agro negócio, que vai produzir energia em mono cultivos. A combinação de alimento e energia se dá através dos poli cultivos, da integração das atividades agrícolas, pecuária e florestal, na rotação de culturas, nos consórcios e nos Sistemas Agroflorestais e Agrosilvopastoris.

- Produção de álcool a partir de várias matérias-primas. Usar várias matérias primas para a produção de álcool como cana-de-açúcar, mandioca e batata doce.

- Controlar a produção de sementes e mudas. Isso é fundamental para a agricultura camponesa porque não produzir sementes e mudas significa não escolher o que plantar, ficando dependente das empresas que cobram royalties pelo uso de sementes patenteadas. O uso de sementes crioulas também é aconselhável para introduzir novamente mais variedades de produtos.

- Produção com base no manejo dos recursos naturais. A agricultura baseada no uso de fertilizantes químicos e mecanização pesada inverteu a lógica ecológica da agricultura. , Manejar os recursos naturais e criar as condições para o máximo aproveitamento dos abundantes insumos como o Sol, a Água e o Ar significa construir uma agricultura diversificada, com matéria orgânica e vida no solo, potencializando a ciclagem de nutrientes e a combinação da produção vegetal com a produção animal.

- Geração de novos postos de trabalho e distribuição da renda. A descentralização da produção e o uso de sistemas de secagem e armazenagem comunitários são elementos que ajudam a descentralizar os postos de trabalho, criando mais renda no campo.

- Participação dos agricultores em todos os elos da cadeia produtiva. Os agricultores estão acostumados a serem apenas produtores de grãos. Isso diminui o potencial de renda deles. Desta forma, organizar a produção em cooperativas e controlar economicamente a maior parte possível da cadeia produtiva significa garantia de que a riqueza produzida fique nas mãos das famílias agricultoras, ajudando a desenvolver a região e o comércio local.

- Uso de mecanização leve e adequada à unidade de produção camponesa. Na agricultura, a máquina ajuda o trabalhador rural mas por enquanto existem principalmente máquinas especializadas para mono cultivos. O programa de mecanização camponesa prevê o desenvolvimento de tratores e implementos ajustados à realidade econômica e produtiva da pequena propriedade.


Notas e Referências

Ver também

Cana de açúcar no Brasil

Microdestilarias no Brasil

Ligações externas

Cooperbio

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