Cana de açúcar no Brasil

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A cana-de-açúcar é uma planta de tronco fino e comprido com folhas também compridas e verdes. O tronco é macio e possui alta concentração de açúcar. De origem asiática, a cana-de-açúcar foi trazida para o Brasil pelos portugueses na primeira década do século XVI. A cultura da cana desenvolveu-se com sucesso no nordeste brasileiro, sendo que o Brasil tornou-se o principal produtor e exportador de açúcar nos séculos XVI e XVII. A cana-de-açúcar adapta-se facilmente em regiões de clima tropical, pois necessita de chuvas e boa quantidade de luz solar.

A região do interior do estado de São Paulo concentra, atualmente, a maior quantidade de canaviais. As usinas produzem álcool, principalmente o etanol para ser usado como combustível de automóveis. O etanol faz parte da família dos biocombustíveis no Brasil e é bem menos poluente em comparação aos combustíveis fósseis (derivados do petróleo: diesel e gasolina). Uma parte da produção destas usinas de cana destina-se à fabricação de açúcar branco e aguardente (cachaça).

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Figura 1. Cana de açúcar. Foto: Daniele Cesano


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Corte manual e mecanizado da cana de açúcar

No ano 2005, a indústria de etanol, cana de açúcar e de produção de açúcar empregava 982,604 pessoas, ou seja mais ou menos o 1.8% dos 54 milhões de trabalhos formais no Brasil. Cada milhão de tonelada de cana de açúcar, é preciso 2200 pessoas das quais o 70% (1600) são na parte de produção e corte da cana de açúcar. De um ponto de vista econômico, a produção e o corte de cana de açúcar são o terceiro trabalho melhor pago na agricultura do Brasil depois da produção de limão e soja. Na região de São Paulo, os cortadores de cana de açúcar conseguem cortar 6-8 ton/dia e vem pago 8-10 R$/ton. Com uma safra que dura 180 dias por ano, isso significa uma renda de 1100-1500 R$/mês de safra ou 700-800 R$/mês se isso for calculado como renda anual. Considerando que a metade da população Brasileira ganha um salário mínimo, isso significa que os cortadores de cana de açúcar não estão em principio na faixa da população mais pobre do Brasil. De qualquer forma, alguma ONG tem criticado as condições de trabalho nas plantações que podem ser horríveis.

O numero de cortadores de cana pode diminuir sensivelmente no próximo futuro por causa da mecanização do corte que esta se introduzindo pelas seguintes razões:

- Fatores ambientais e de saúde: O uso da queima controlada, ou seja a queima da palha para diminuir o volume e peso da cana, foi uma pratica muito comum até recentemente mas ao mesmo tempo tem sido um grande problema ambiental porque poluíra e deteriorava a qualidade do ar nas áreas perto do canavial. Por isso foi introduzida uma nova regulamentação no ano 2002 (Lei 11,241 do 19/09/02) para uma gradual substituição da queima controlada com o corte mecanizado até o 2031.

Tabela 1. As metas da lei de São Paulo, 11,241 do 19 de Setembro 2002. Cada produtor de cana de açúcar tem que diminuir as queimadas de acordo com esta tabela. As áreas em cima de 150 Ha com uma pendência de 12% ou mais são consideradas de difícil mecanização e por isso o prazo foi estendido até o ano 2031.

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- Fatores econômicos e tecnológicos: Sem as queimadas, a produtividade do cortador de cana de açúcar se baixaria de 8 ton/dia a 4 ton/dia. Uma melhor regulamentação dos contratos de trabalho tem aumentado também o custo da mão de obra no corte manual. Isso tem incentivado o uso do corte mecanizado.

De um ponto de vista do trabalho, o corte mecanizado tomara’ posto de trabalho. Uma estimativa é que já tomou 23% dos trabalhos no período 1992-2005 (Dias de Moraes, 2007). Mas com o aumento da produção de etanol e um eventual mercado internacional dos biocombustíveis, essa mão de obra pode ser facilmente re-absorbida pela indústria embora a densidade de trabalho seja’ provavelmente menor.

E’ possível também fazer uma comparação econômica do corte mecanizado com o corte manual. Tem sido comparada uma destilaria que precisa de 1.8 milhões de toneladas de etanol e que produz 144 milhões de litros de etanol por ano. Os resultados mostram que o impacto do corte manual sobre o custo total do etanol pode ser praticamente o dobro.

Tabela 2. Comparação de custo entre o corte manual e o corte mecanizado. Dados usados: John Deere, 2008; ORPLANA, 2008. Cambio: 1.75 R$ = 1 USD$

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Notas e Referências

1. Roseiro M.N.V. and A.M.M. Takayanagui, 2004: Meio ambiente e poluiçao atmosférica: O caso da cana-de-açúcar (Envrionemtn and atmosphere pollution: the question about sugarcane). Saúde, Vol. 30, Vol. 1-2, pp. 76-83. In Portuguese, English abstract.

2. Macedo I.C., 2005. Sugar Cane’s Energy: Twelve Studies on Brazilian Sugar Cane Agribusiness and Its Sustainability. São Paulo: UNICA (São Paulo Sugarcane Agroindustry Union).

3. Oxfam, 2007: Bio-fuelling Poverty - Why the EU renewable-fuel target may be disastrous for poor people. Oxfam Briefing Note, November 2007.

4. Dias de Moraes M.A.F., 2007: Indicadores do mercado de trabalho do sistema agroinductrial da cana-de-açúcar do Brasil no período 1992-2005 (Indicators of the Brazilian sugarcane job market during 1992-2005). Estudos Economicos, Vol. 37, N. 4, pp. 875-902.

5. IBGE, 2008: http://www.ibge.gov.br/home/

6. ORPLANA, 2008: http://www.orplana.com.br


Ver também

Ligações externas

UNICA A União da Indústria de Cana-de-Açúcar

Datos sobre a produçao e custos do etanol no Brasil

Anuario Estatistico da ANP - maior fonte de datos oficiais sobre consumo, produçao e preço de etanol no Brasil

Preço medio do etanol pago ao produtor no Estado de São Paulo

Publicação sobre aspectos diferentes da industria do etanol (UNICA)