Irrigação no Brasil

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Com o crescimento populacional, a humanidade se vê compelida a usar a maior quantidade possível de solo agricultável, o que vem impulsionando o uso da irrigação, não só para complementar as necessidades hídricas das regiões úmidas, como para tornar produtivas as áreas áridas e semi-áridas do globo, que constituem cerca de 55% de sua área continental total. Atualmente, mais de 50% da população mundial depende de produtos irrigados. O crescimento demográfico brasileiro, associado às transformações pelas quais passou o perfil da economia, refletiu de maneira notável sobre o uso dos recursos hídricos na segunda metade do século XX. A migração da população do campo para a cidade e a industrialização, além de exercerem significativa demanda das águas dos mananciais, também exigiram o crescimento do parque gerador de energia elétrica, que, por sua vez, implicou na necessidade de aproveitamentos hidrelétricos. Adicionalmente, o aumento da população reclamou maior produção de alimentos, o que veio encontrar na agricultura irrigada o canal apropriado para satisfazer a essa demanda.

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Projetos de irrigação no Brasil

A intensificação da prática da irrigação configura uma opção estratégica de grande alcance para aumentar a oferta de produtos destinados ao mercado interno, consolidar a afirmação comercial do Brasil num mercado internacional altamente competitivo e melhorar os níveis de produção, produtividade, renda e emprego no meio rural e nos setores urbano-industriais que se vinculem, direta ou indiretamente, ao complexo de atividades da agricultura irrigada.

O manejo racional da irrigação consiste na aplicação da quantidade necessária de água às plantas no momento correto. Por não adotar um método de controle da irrigação, o produtor rural usualmente irriga em excesso, temendo que a cultura sofra um estresse hídrico, o que pode comprometer a produção. Esse excesso tem como conseqüência o desperdício de energia e de água, usados em um bombeamento desnecessário.

Como foi descrito pela FAO, hoje existem dois tipos principais de projetos de irrigação no Brasil :

- Esquemas públicos: Esta modalidade representa cerca de 160,000 ha (entre o 4%-6% da area total irrigada). A maior parte destes projetos estão na região do nordeste. A area varia entre 42 e 22,000 ha. A maior parte dos investimentos é feito pelo governo federal e estadual. Os "perímetros irrigados" confere entre 4 e 8 ha de terra irrigada para pequeno produtores rurais do assentamento agrário Existem também áreas maiores (8-32 ha) cultivados por técnicos agrícola e grandes áreas (25-500 ha) para empresas. os projetos de irrigação publica vem feitos usando os recursos hídricos que foram desenvolvidos pelo Governo Federal usando recursos públicos O custo total para desenvolver estes projetos no nordeste é de US$8,600/ha, US$9,650/ha e US$10,150/ha para projetos com irrigação superficial, aspersão e micro-irrigação localizada. A água tem um custo entre US$1.5 e 15 a cada 1,000 m3 para repagar o investimento hidráulico per 1,000 m3.

- Esquemas privados. O restante da irrigação do Brasil vem desenvolvida por pequenos agricultores, empresários ou empresas. Estes projetos tem recebido assistência técnica e linhas de credito preferenciais. Existem muitas formas de irrigação, a partir de áreas pequenas até chegar a areas maiores. Os investimentos são menores que no setor publico: US$1,600/ha, US$2,650/ha e US$3,150/ha para projetos com irrigação superficial, aspersão e micro-irrigação localizada. Os projetos tem um custo maior na area do nordeste que nas outras áreas por causa do accesso a fonte de agua perenes. Os custos de desenvolvimento das infrsa-estrutura basicas (bombeamento, conexão a eletricidade, estradas, etc...) varia entre US$4,500/ha até US$7,000/ha, e investimentos na área custa entre US$650/ha para projetos de irrigação simples até US$2,500/ha para micro-irrigação.

Tecnologias de irrigação no Brasil

As tecnologias principais de irrigaòao no Brasil são:

-Escorrimento(também chamado de gravidade) - a partir de regos ou canais, onde a água desliza, sendo o seu excesso recolhido por uma vala coletora;

- Submersão - utilizado em terrenos planos;

- Infiltração - Utilizando sulcos abertos entre as fileiras de plantas;

- Aspersão - A água cai no terreno de forma semelhante à chuva(é distribuida de modo uniforme).

- Pivot: Tomada central de água giratória com aspersores ou microjactos

- Gotejamento: a água sai por pequenos gotejadores junto aos pés das plantas)


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Figura 3. Irrigação por gotejamento no nordeste do Brasil. Fonte: Daniele Cesano.


Conflitos sobre os usos da águae a irrigação

A irrigação é uma forma de uso consumptivo da água, isto é, parte da água utilizada para este fim não retorna ao seu curso original, havendo redução efetiva da disponibilidade do manancial. Além disso, nos usos consumptivos, normalmente a água que retorna aos mananciais tem qualidade inferior à da que foi captada e sua diluição afeta a qualidade de todo o corpo d’água.

Na atualidade brasileira, é evidente o crescimento dos conflitos entre os usos dos recursos hídricos. Exemplos em grande escala podem ser observados na bacia do rio São Francisco, onde as projeções de demanda de água para irrigação para a transposição para outras bacias hidrográficas e manutenção dos atuais aproveitamentos hidrelétricos mostram-se preocupantes quanto à disponibilidade de água do rio. No Sudeste, evidenciam-se os conflitos em torno da utilização das águas dos rios Paraíba do Sul, Piracicaba e Capivari, para citar somente alguns casos. No Sul do país, a enorme demanda de água para irrigação de arrozais é o caso mais visível. Segundo a CODEVASF, hoje somente para o rio São Francisco, a demanda total para outorga de uso da água é da ordem de 770m3/s, com cerca de 99% deste valor é previsto para projetos de irrigação. Sendo a vazão média total na foz do rio de aproximadamente 2.850m3/s, a vazão demandada corresponde a 27% da vazão total. Diante de valores tão significativos, pode-se perceber o quanto é importante o estudo detalhado de cada pedido de outorga antes de sua liberação; caso contrário, os impactos gerados podem causar grandes prejuízos à sociedade.

Em termos mundiais, a Fundção Getulio Vargas estima que o usa de agua para irrigação responda por cerca de 80% das derivações de água; no Brasil, esse valor supera os 60%. A irrigação é exigente em termos de qualidade da água e, nos casos de grandes projetos, implica obras de regularização de vazões, ou seja, barragens, que interferem no regime fluvial dos cursos d’água e sobre o meio ambiente.



Notas e Referências

BERNARDO, Salassier. Manual de Irrigação. Viçosa, UFV: Impr. Univ., 2007. 596p.

CHRISTOFIDIS, D. Recursos Hídricos e Irrigação no Brasil. Brasília: CDS – UnB, 1999.

DAKER, A. Irrigação e Drenagem. 7ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1988. 543p.

FGV. Revista de Economia Agrícola da FGV - AGROANALYSIS.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 1997. Anuário Estatístico do Brasil, 57.

Ministério da Minas e Energia, Departmanento Nacional de Águas e Energia Eletríca. 1992. Disponibilidade Hídrica No Brasil. Brasilia.

Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, Secretaria de Recursos Hídricos. 1998. Política Nacional de Irrigação e Drenagem. Brasilia.

FAO-ODI-IIMI. 1990. Estimating the Economics Profitability of Irrigation: The Case of Brazil. FAO Investiment Centre, Overseas Development Institute, International Irrigation Management Institute, Irrigation Management Network Paper. Rome.

Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, Secretaria de Recursos Hídricos. 1998. Water Resources of Brazil. Brasilia.

Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, Secretaria de Recursos Hídricos. 1997. Papel do Governo e da Iniciativa Privada no Desenvolvimento da Agricultura Irrigada no Brasil. Bernardes L., Programa Nacional de Irrigação (PRONI). Novo Modelo De Irrigação. Brasilia.

World Bank. 1990. Brazil.Irrigation Subsector Review. Report nº 7797. Washington D.C.


Ver também

FAO: irrigation in Brazil

Ligações externas

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaiba